Simone Lucie Ernestine de Marie Bertrand de Beauvoir, conhecida como Simone de Beauvoir, nasceu em Paris, França, no dia 9 de janeiro de 1908. Filha de um advogado e leitor compulsivo, desde a adolescência já pensava em ser escritora.
Entre 1913 e 1925, estudou no Institute Adeline Désir, uma escola católica para meninas. Em 1925, Simone de Beauvoir ingressou no curso de matemática do Instituto Católico de Paris e no curso de literatura e línguas no Institute Saint-Marie.
Em seguida, Simone de Beauvoir estudou Filosofia na Universidade de Sorbonne, onde entrou em contato com outros jovens intelectuais como René Maheu e Jean-Paul Sartre, com quem manteve um longo e polêmico relacionamento. Em 1929 concluiu o curso de Filosofia.
Em 1931, com 23 anos, Simone de Beauvoir foi nomeada professora de Filosofia na Universidade de Marseille, onde permaneceu até 1932. Em seguida, foi transferida para Ruen. Em 1943 retornou à Paris como professora de Filosofia do Lycée Molière.
Simone de Beauvoir manteve um relacionamento aberto e um compartilhamento intelectual com o também filósofo Jean-Paul Sartre por mais de 50 anos. Nunca chegaram a se casar ou a ter filhos.
Para entender as ideias pensadas por Simone de Beauvoir é preciso entender algumas concepções sociológicas da autora. Sua convivência com Sartre fez com que muitos dos seus pensamentos tivessem influência no Existencialismo Sartriano.
Sartre discordava dos valores impostos pela igreja e pela sociedade, sendo assim, defendia a liberdade de escolha de cada ser humano e que as decisões tomadas por eles iriam definir a sua essência e seu modo de viver.
Simone foi uma “filósofa existencialista” que enfatizava a “liberdade e a reflexão” sobre a colocação da mulher na sociedade, tornando-se estes os principais pilares para a formação do seu pensamento.
Simone possuía a habilidade de refletir profundamente sobre o cotidiano da vida, observando as falhas e injustiças sociais que passavam despercebidas pela maioria das pessoas.
Entre 1943 e 1944, período da ocupação nazista, Simone de Beauvoir trabalhou na Rádio Vichy, como porta voz da propaganda Nacional Socialista.
Em 1945, Simone e Sartre fundaram a revista política, literária e filosófica de extrema esquerda “Os Tempos Modernos” para maior divulgação do existencialismo.
Em 1943, Simone de Beauvoir fez sua estreia na carreira literária publicando seu primeiro romance, “A Convidada”, onde abordou os dilemas existenciais de liberdade de uma mulher de trinta anos que se vê com ciúme, raiva e frustrações com a chegada de uma jovem estudante que se hospeda em sua casa ameaçando desestruturar sua vida conjugal.
Em 1949, Simone de Beauvoir publicou “O Segundo Sexo”, o principal livro da escritora, que representou uma desconstrução para os padrões impostos pela sociedade e pela igreja da época.
A obra, que alcançou repercussão internacional, serviu de referência para o movimento feminista mundial e marcou toda uma geração interessada, como a autora, na abolição das questões ligadas à opressão feminina e à busca da independência da mulher diante da sociedade.
Escrita em dois volumes, o primeiro representa a parte filosófica do pensamento da autora, em que ela apresenta importantes reflexões sobre o existencialismo e o contexto social da época – que trata de maneira desigual os papéis do homem e da mulher.
Na segunda parte, Simone traz a célebre frase que explicita a ideia fundamental da filosofia existencialista, segundo a qual a existência precede a essência:
“ninguém nasce mulher, torna-se mulher”
Esta frase ganhou destaque no Brasil, em 2015, após aparecer em uma questão do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM).
“O que é ser mulher?” Essa pergunta foi o que norteou Simone em “O Segundo Sexo”. Segundo a filósofa, o homem era uma experiência universal, no entanto, ser mulher era uma construção social.
Para entender esse conceito é preciso considerar a condição da mulher no contexto de uma sociedade patriarcal que forjou sua condição historicamente, socialmente e culturalmente.
A obra contribuiu de forma decisiva para a expansão da consciência feminina na segunda metade do século XX.
Em sua obra “Os Mandarins” (1954), um romance-ensaio típico do movimento existencialista, Simone de Beauvoir descreve o ambiente na França entre 1944-1948 – as consequências da guerra, da ocupação alemã e da Resistência, a simultaneidade da corrução moral e da agitação intelectual.
A obra, onde a dimensão subjetiva se articula com a política, sob um pano de fundo histórico da guerra e resistência, a liberdade individual e as condições sociais são a tônica dominante.
Notável como documento histórico, a obra recebeu o “Goncourt” de 1954 – o maior prêmio literário da França.
Ligada aos movimentos sociais de esquerda, Simone de Beauvoir realizou viagens para diversos países, entre eles China, Cuba, Brasil e União Soviética.
Nesse livro, Simone detalha também algumas impressões sobre o Brasil a partir de sua vinda com Sartre, quando foram guiados por Jorge Amado, em 1960.
Na obra “Cerimônia do Adeus” Simone conta tudo sobre Sartre. O livro é um hipnótico relato da decadência de um homem superior, Jean-Paul Sartre.
Com estilo de romance, o testemunho de Simone investe pelo declínio da mente poderosa e pela deterioração do corpo de seu companheiro. Após a morte de Sartre, Simone se entregou ao álcool e às anfetaminas.
Simone de Beauvoir faleceu em Paris, França, no dia 14 de abril de 1986, vítima das complicações decorrentes de uma pneumonia, sendo enterrada no cemitério de Montparnasse em Paris, junto de seu companheiro.
Fonte: ebiografia.com