O boateiro

Esta historinha — evidentemente fictícia — corre em Recife, onde o número de boateiros, desde o movimento militar de 1.° de abril, cresceu assustadoramente, embora Recife já fosse a cidade onde há mais boateiro em todo o Brasil, segundo o testemunho de vários pernambucanos hoje em badalações cariocas.

Diz que era um sujeito tão boateiro, que chegava a arrepiar. Onde houvesse um grupinho conversando, ele entrava na conversa e, em pouco tempo, estava informando: “Já prenderam o novo Presidente”, “Na Bahia os comunistas estão incendiando as igrejas”, “Mataram agorinha o Cardeal”, enfim, essas bossas. O boateiro encheu tanto, que um coronel resolveu dar-lhe uma lição. Mandou prender o sujeito e, no quartel, levou-o até um paredão, colocou um pelotão de fuzilamento na frente, vendou-lhe os olhos e berrou: “Fogoooo!!!”. Ouviu-se aquele barulho de tiros e o boateiro caiu desmaiado.

Sim, caiu desmaiado porque o coronel queria apenas dar-lhe um susto. Quando o boateiro acordou, na enfermaria do quartel, o coronel falou pra ele:

—    Olhe, seu pilantra. Isto foi apenas para lhe dar uma lição. Fica espalhando mais boato idiota por aí, que eu lhe mando prender outra vez e aí não vou fuzilar com bala de festim não.

Vai daí soltou o cara, que saiu meio escaldado pela rua e logo na primeira esquina encontrou uns conhecidos:

—    Quais são as novidades? — perguntaram os conhecidos.

O boateiro olhou pros lados, tomou um ar de cumplicidade e disse baixinho: — O nosso exército está completamente sem munição.

STANISLAW PONTE PRETA

A quiromante e a centopéia

Um dia a centopeia foi consultar uma quiromante. A centopeia queria saber se o seu namorado gostava dela. Na verdade, ela queria saber se o namorado casaria com ela, mas achava que se ele gostasse dela, já era meio caminho andado para o casório.

Daí então a centopeia deu um susto na quiromante, porque a quiromante já tinha lido o futuro em muitas mãos, Já havia visto as linhas do coração, da cabeça e da vida, em centenas de palmas. Mas nunca tinha topado antes com tantas mãos para ler de uma só vez. E muito menos tantas mãos em um só ser.

A quiromante arregaçou as mangas e enfrentou o maior desafio de sua carreira de profissional leitora das linhas das mãos, onde está escrito a verdade.

E leu a primeira mão da centopeia. E viu que o namorado dela casaria com ela sim.

E leu a segunda mão da centopeia. E viu que o namorado da centopeia não casaria com ela.

Acontece que a centopeia chega a ter 170 mãos.

E deu empate. 85 mãos diziam que sim, 85 mãos diziam que não.

Mas a centopeia saiu contente. Preferia acreditar que a metade dos sins era mais forte que a metade dos nãos.

E a quiromante também ficou feliz. Tinha acertado na leitura de todas as mãos da centopeia.

Afinal o futuro é isso mesmo: Metade certezas, metade dúvidas.

Moral da Estória: você é quem deve decidir em que acreditar. Por isso acredite sempre mais que vai dar certo.

Passeios culturais

Garafe de Sueños Cafeteros

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Agenda Cultural Casa das Rosas

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Farol Santander – Espaço Cultural

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Academia Brasileira de Letras

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Museu Afro Brasil

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Japan House

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Memorial da Resistência de São Paulo

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Pinacoteca de São Paulo

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