Os animais também são seres humanos!

Era uma vez uma linda princesa que me chamou para conversar. Simpática e cativante, deixou-me tão instantaneamente atraído que redundâncias e clichês brotaram naturalmente: eu estava apaixonado por ela, eu a amava, eu a desejava, eu a queria, eu, eu, eu…Com olhos tristes, e fugidios às vezes, à medida em que os detalhes se tornavam mais íntimos, segredou-me com voz meiga toda a sua vida, todos os seus tormentos. Confiando em mim cegamente, pediu-me ajuda, implorou-me piedade, implorou-me um beijo!

Não hesitei. Pulei da água imediatamente e num acrobático salto refugiei-me em seu colo, aconcheguei-me em suas mãos e desencantei minha condição anfíbia.

Foi o beijo mais longo da história.
Sou feliz até hoje.

És pó

No dia que morri
Nada mudou
Ninguém chorou

Todos amaram
Se ajuntaram
Se espalharam

Cada um no seu rumo
Cada qual na sua estrada
Cada cada com seu medo

A Natureza notou
Engoliu-me
Transformou-me
Fez de mim
Parte de si.

Verbos a declarar

Precisarei voltar ao passado
Desintegrar o compacto
Ensaiar antigos passos
Disfarçar golpes baixos
Completar o inacabado
Convencer-me do contrário

Encaixar no descabido
Desvendar o já sabido
Ao lixo o que está vencido
Encontrar velhos caminhos

Indagar aquela resposta
Transbordar até o copo
Bater a última porta

Pedir perdão perdoar
Um adeus acenar
Esquecer o endereço
Fingir um recomeço
Hoje não posso jantar