A história do menininho

 

Fui dormir e pensei: quero escrever mais um texto para o blog do meu amigo, Luiz Bernardes.

No outro dia, acordei bem como sempre, após mais uma noite de sono e muitos sonhos. Meu primeiro e feliz pensamento foi: já tenho o título do próximo texto – “a história do menininho”. Que maravilha!!! Era isso, este nome me parecia perfeito, assim como me parecia evidente, que essa história realmente existia, e que eu iria encontrá-la!

Cá entre nós, não sei de onde eu tirei isso, mas foi assim mesmo que aconteceu….

Segui para o banheiro, e enquanto me penteava e me maquiava, eu pensava em quem seria este menininho. Estava tão claro para mim que o nome do texto seria esse, mas faltava o protagonista com sua fantástica história, que coisa….

Pensei na figura do meu filho quando criança, mas não, não era ele, e não consegui fechar a equação.

Me lembrei da dúvida do dia anterior: será que aquela Oitava Sinfonia, tão suave e linda, era mesmo de Beethoven? Não que Beethoven não merecesse elogios, claro. Na verdade, suas músicas são as minhas preferidas, definitivamente um grande gênio, mas a gente acaba por conhecer o estilo do cara, e essa Oitava não era o jeitão dele não…Estava escrito “inacabada”, mas pelo que eu me lembrava, a inacabada era a Nona Sinfonia e não a Oitava. Fui direto ao Google fazer uma mais que rápida pesquisa.

Eu tinha baixado uma série de músicas clássicas para ouvir, e algumas vieram com os nomes meio confusos. Como pode esta maravilha do século, que é a internet, também enganar a gente??? Parece que virou uma pandemia isso de enganar a gente! E pimba, não era de Beethoven, mas sim de Schubert. Ohhh!!! A música estava identificada como a Oitava Sinfonia de Beethoven, mas era de Schubert…caraca!!!! Até nisso tem falhas…. e vai confiar nas notícias…

Sim, mas e a história do menininho? Cadê o tal menininho? Voltei a pensar no tal menininho. Me lembrei até dos filhos dos amigos, porque afinal de contas poderia ser um deles… mas quê… nenhum deles era o tal menininho….

Nisso o esquisito do meu cérebro, que deve ser muito louco, se pôs a matutar o porquê da Quinta e da Sexta Sinfonia de Beethoven serem a mesma música. Claro, lógico, evidente que não são, pois o ilustre Beethoven tinha criatividade para um milênio de composições ininterruptas. Ele não era um tipo que comporia 2 músicas parecidas, que dirá, iguais…ahahahahah tonta, pensei!!! Nisso eu já tinha terminado a maquiagem, agarrado a mochila do notebook, passado pelo meu trio de gatos, que me esperavam ansiosos para mostrar a bagunça que fizeram na terra do vaso de plantas da sala, e já estava na garagem, checando qual era na verdade a quinta e sexta sinfonia, pensando no tal do menininho, organizando mentalmente a agenda do dia, lembrando com saudade do meu filho que está estudando em cidade distante, e no que estaria fazendo a esta hora o namorado, em Buenos Aires. Ah, eu também estava dirigindo… Uau….será que todo mundo tem esta fartura de pensamentos sobrepostos, ou estarei eu perdendo um pouco a “razão”???

O Watson da IBM pode responder tudo o que perguntam, mas nada se compara à cabeça da gente, que vive fervilhando de perguntas, respostas, verdades, mentiras, invenções, buscas incessantes, músicas, textos, etc., etc., e etc.!!!. Valha-me Deus! Ele sim desenvolveu o mais potente e louco computador de todos os tempos!!!

Segui para empresa, percorrendo os 25 km entre minha casa e ela, dividida entre inúmeros pensamentos relâmpagos de tudo que se possa imaginar, mais as músicas, o planejamento das tarefas do dia, as vendas, as compras, meu querido secretário que ia voltar a trabalhar comigo, e a caça aos radares da rodovia (que raiva eu tenho disso…) e ao menininho, pois afinal, sem menininho, sem texto.

E por que raio fui acordar com o nome deste texto na cabeça!?!?!?! Eu hein!!!

Ne empresa, como sempre, eu mergulhei intensamente no trabalho. Sempre tenho a sensação de estar em um turbilhão quando estou por lá, mas isso já virou normal, e sempre me saio bem, feliz, ilesa e saltitante, direto para a academia, na eterna luta para manter o corpinho o menos compatível possível com a minha idade! ahahahaah

Num raro momento de “mente em branco” (isso existe??), levanto os olhos e vejo pelo vidro, passando do lado de fora da minha sala, um dos novos Menores Aprendizes que estão começando a estagiar com a gente. Vejo uma carinha de menininho em um corpo já alto de adolescente. Penso: será esse o “menininho”?? Queria pedir que viesse na minha sala para me contar a sua história, mas o tempo é curto, o trabalho é muito, e não deu para conversar com ele e nem para escrever a história real do menininho.

Porém, uma coisa é certa: já tenho o nome para o próximo texto – A História da Menininha!

Fui!!!

A cidade das chuvas

Na cidade das chuvas
Ela decidiu ganhar as ruas
Em um ledo dia de sol

Aquela jubiloso dia de sol
Ela toda radiante
Vestiu o que de melhor tinha
Seu sorriso perolado
Em um diáfono vestido floral

Na cidade das chuvas
Justamente naquele dia de sol
Ela ganhou as ruas dissolutas


E foi se reunir
Com o que melhor existe
Na vastidão cósmica sem fim
Foi se encontrar consigo mesma