Boa tarde

E o tempo mudou tão de repente
que não tive tempo para me preparar,
e a dor que eu sinto, mas que ninguém sente,
começa na alma para no corpo se espalhar.

E o tempo mudou sem nenhum aviso,
nem mesmo um amigo para me alertar.
No peito um talho, um corte preciso,
na mente, memórias que começam a falhar.

E o tempo mudou do azul para o cinza,
ao longe montanhas que não consigo alcançar,
o vento que uiva já não é a mesma brisa
que os meus cabelos vinha acariciar.

O tempo mudou um tanto sorrateiro,
da minha agonia veio zombar.
Eu, arrogante, me julgava o primeiro,
e hoje não tenho do que me orgulhar.

O tempo mudou como era sabido,
somente um tolo para não acreditar,
que o tempo passado é tempo perdido,
e o que ainda me resta, só tempo dirá…

Os saltadores

Certa vez o pulgo, o gafanhoto e um boneco de mola quiseram verificar quem pulava mais alto, e convidaram o mundo e mais alguém para ver o espetáculo. Quando os três estavam juntos na mesma sala, dava para ver que eram mesmo muito bons de pulo.

– Darei a minha filha a quem saltar mais alto! – declarou o rei – seria uma pena eles pularem por nada!

O pulgo apresentou-se primeiro. Tinha maneiras elegantes e cumprimentou a todos os presentes, pois tinha sangue nobre e estava acostumado a misturar-se à sociedade humana, e isto queria dizer muita coisa.

Em seguida veio o gafanhoto, que era bem mais robusto, mas parecia muito elegante em seu uniforme verde. Além disso, ele disse que vinha de uma família muito antiga das terras do Egito, e era tido em alta conta lá também. Tanto o pulgo como o gafanhoto elogiaram muito seus próprios talentos, e declararam que se julgavam adequados para se casar com uma princesa.

Quanto ao boneco de mola, não disse nada, mas as pessoas acharam que isso significava que ele estava pensando ainda mais alto. Quando o cão da corte foi cheirá-lo, disse que tinha certeza de que o boneco de mola era de boa família.

Então chegou a hora de começar a pular. O pulgo pulou tão alto, que ninguém conseguiu vê-lo. Disseram que ele não tinha pulado nada, e que estava trapaceando.

O gafanhoto só pulou a metade da altura do pulgo, mas pulou bem no rosto do rei, e o rei disse que aquilo era péssimo.

O boneco de mola ficou parado quieto por algum tempo, pensando no assunto, até as pessoas acharem que ele não era capaz de pular.

– Espero que não esteja se sentindo mal! – disse o cão da corte, cheirando-o de novo.

Vupt!

O boneco de mola deu um pulinho e pousou no colo da princesa, que estava sentada num tamborete dourado baixinho. Então o rei disse:

– O pulo mais alto foi de quem pulou até minha filha, pois não é possível chegar mais alto. Mas foi preciso ter inteligência para descobrir isso, e o boneco de mola é esperto e tem miolo. Assim, ele conquistou a princesa.

– Mas eu pulei mais alto! – disse o pulgo – ora, dá no mesmo. Ela que fique com o boneco de mola, eu não ligo! Pulei mais alto, mas parece que neste mundo só as aparências importam.

Assim, o pulgo foi para o estrangeiro servindo na ativa, e dizem que lá foi morto. O gafanhoto foi sentar-se no fosso para pensar nas coisas do mundo e concordou:

“Só as aparências importam!”

Agosto, mês do cachorro louco

Algumas crenças se relacionam pelo fato de a primeira Guerra Mundial  ter início em agosto de 1914. Outro fato é que as bombas atômicas foram lançadas em Hiroshima e Nagasaki em 6 e 9 de agosto de 1945 e também pelo fato que Adolf Hitler se torna o führer (líder ou chefe de estado) no dia 02/08/1934.

Agora, outra interpretação é que durante o mês de agosto a concentração de cadelas no cio aumenta bastante devido às condições climáticas. E quando as cadelas estão no período fértil, os cachorros ficam “loucos” e brigam para conquistar a fêmea. É dessa forma que muitas pessoas são alertadas sobre o perigo que a raiva representa para a saúde da população.